Arquivos Diários: Maio 4th, 2008

Então, depois de um longo inverno cá estou de novo.

Não se fala mais de outra coisa na mídia. Questões políticas são ignoradas, os problemas sociais não são lembrados. Só se fala num cadáver que um dia teve cinco anos.

Eu não queria ter que falar sobre esse assunto, mas é praticamente inevitável. Pelo menos 8 em cada 10 sites da blogosfera já colocaram suas impressões acerca do assunto.

Bom, acho que a questão a ser debatida é a que ecoa fortemente por ai: afinal, o papel da mídia é passar ou debulhar a informação?

No chamado “Caso Isabela” a mídia deixou de assumir o papel de ‘transmissora’ da informação e passou a se tornar um indivíduo, violando liberdades individuais, atrapalhando investigações, infernizando uma família e transformando o caso num verdadeiro circo. Eu me pergunto se isso é pelo mero sensacionalismo ou se tem alguma questão política por trás. Falo isso porque já percebi que de tempos em tempos a mídia cria ‘mártires’ para servirem de estandartes da direita conservadora em certas questões, como foi o caso do João Hélio (o menino arrastado) em relação à diminuição da maioridade penal.

Mas tem um ponto que eu achei interessantíssimo que eu vi num debate outro dia: esse caso não apenas levanta um mártir para a sociedade burguesa, mas ele também cria uma sensação de conforto e comodidade. Pensem: “Meus filhos não tem uma educação adequada, meu salário não vai dar pra pagar as contas no fim do mês, minha mulher não arruma emprego… Ah, mas pelo menos estou melhor que a família da Isabela”. A partir disso, as pessoas se sentem confortáveis sob qualquer ótica e são mantidas nas rédeas do sistema.

E então sobra a pergunta: aprendemos algo? Eu diria que aprendemos um exemplo de como a mídia NÃO devia se comportar. Caso isso seja usado como contra-exemplo no futuro, creio que tenha valido a pena. Caso contrário, teremos eternamente Isabelas e João Hélios para distrair a população de questões importantes.

Longos dias e belas noites para todos.