Uma colcha de retalhos bem feita é a analogia mais próxima que posso traçar.
Provavelmente, ao olhar para mim, você já tem uma denominação para sua primeira impressão. “Olha o roquenrou aí”, “Ô metaleiro”, “É do demônio!”, “Ocê curte uns Raul?’ dentre outras. Meus cabelos e pelos faciais, minhas camisas pretas com logotipos indecifráveis e meu colete jeans rasgado criam um pré-conceito particularmente previsível acerca de mim.
Gosto da luz. Não daquela que cega o cansado ou que insola um velho sábio no verão italiano. Gosto da luz amena de dias nublados, daquele meio termo cinzento que, mesmo que digam “que dia feio”, todos acabam por não se sentirem mal. Gosto de meio-termos.
Amo as palavras. Amo e odeio. Me apaixonam, no mais puro sentido da “paixão”. Me perseguem aonde eu vou, me prendem e me guiam. Acho que encontro-me entre a gutembergomania e a gutembergofobia.
Sou miseravelmente político. Não consigo escapar. Talvez uma herança familiar ou uma simples preocupação com o ambiente que me entorna me obriga a tomar posições que muitos preferem não tomar. Simplesmente, não consigo me abster ante às desgraças do panorama mundial.

A música me apaixona. Mas a música não importa agora.
Sou de lugares que não conheço.
Existo meramente em minha própria existência. Não sou a anima aristotélica dividida em dois corpos.
Sou humano e amo minha condição. A humanidade me encanta com suas eternas contradições, com suas dores, com seus sufocos, com seus estúpidos questionamentos, com sua inocência ao afirmar a prepotência. A humanidade é a presença mais bela no universo.
Amo a vida.

Definitivamente, gosto das nuvens.

Tavos Mata Machado

2 Comentários

  1. Tavos… de um cara que gosta de se descrever – talvez até para se conhecer melhor – surge um texto provocante, político, mas nada extraordinário. Nada mais a se esperar de uma apresentação/descrição. Gostei. Interessante ouvi-lo falando de si mesmo, e é por isso mesmo que gostaria de ouvi-lo falar sobre outros tópicos. “Merecer ser ouvido” é um presente da inteligência, do raciocínio e do estudo, lógico. É virtude da mente que questiona. Vamos lá Tavos, já abriu sua mente, agora abra sua boca!

  2. É uma descrição bacana,mas só quem conhece sabe que não é completa.


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